A
prática no Shivágama Yoga é constituída
do bahiranga sádhana (prática externa)
e do antaranga sádhana (prática interna).
Deste último iremos tratar agora. Para compreender
melhor, na prática externa temos técnicas,
exercícios, treinos e aperfeiçoamentos.
Agora, na prática interna estamos falando de
outra coisa totalmente diferente. Como fazemos aquilo
que fazemos. A prática interna trata do despertar
da plena percepção. A vida iluminada pela
luz da consciência. A essa integração
chamamos de Yoga (união). Podemos comparar o
antaranga sádhana aos raios de uma roda. Se um
raio apenas faltar deixaremos de ter uma roda. Assim,
ao compreender cada um dos seus membros estamos nos
alinhando com a consciência interior. Nos tornamos
inabaláveis e totalmente centrados. Abaixo, iremos
estudar os membros desta roda que são aprendidos
intuitivamente durante a prática. Assim, naturalmente,
incorporamos uma nova maneira de viver, na qual, conectados
com o Ser em nós, a nossa vida passa a ter uma
nova dimensão.
Temos no Antaranga Sádhana:
1 - Ásana
2 - Pránáyáma
3 - Pratyáhára
4 - Dhárana
5 - Dhyána
6 - Sabíja Samádhi
7 - Nírbíja Samádhi
Ásana
nesta caso é postura e a atitude interior. Pránáyáma
é atenção respiratória.
E, desta forma, estabelecidos no corpo (postura) e na
respiração a mente se aquieta, proporcionando
uma situação propícia a percepção.
Pratyáhára é abstração
dos sensos. É muito importante compreender isso.
Existe em nós uma constante reação
de impressões passadas. Memórias e mais
memórias de experiências, conhecimentos,
informações emocionais. Se não
compreendemos o nosso medo hoje, ele, certamente, aparecerá
no futuro. Se estamos tomados por qualquer sentimento
ou emoção a nossa percepção
não é clara, límpida, cristalina.
Se estamos tomados pela raiva, por exemplo, podemos
cometer uma loucura. Da mesma forma, tomados por um
estado de romance nos envolvemos com a pessoa errada
e, daí temos: ‘o amor é cego’.
Assim, quando reconhecemos isso, passamos a ‘olhar’
de forma diferente. Quando pernamecemos centrados e
conscientes isso é dhárana ou percepção.
Existe, agora, lucidez ao perceber todos os passos das
reações mentais que geram os sentimentos.
Passamos a testemunhar tudo isso. Despertamos o estado
meditativo ou dhyána. Não existe nenhum
exercício, técnica, mas, apenas a pura
percepção, uma descoberta dentro de você.
Através dela nasce o ‘prajña’
ou insight que liberta. Após uma certa quantidade
destes insights temos o que chamamos de sabíja
samádhi ou iluminação com semente,
no qual, o ego ainda existe. Finalmente, temos o nírbíja
samádhi ou iliminação sem semente,
na qual todo o explendor da plena libertação
do ser existe.
Tudo que falamos não deve ser tomado como difícil
ou impossível. Na verdade, tudo é muito
simples. Jamais precisaremos abandonar tudo e ir para
uma caverna. Isso não é Yoga. Yoga é
aqui e agora. O que quer que você esteja fazendo
faça com consciência, com atenção,
assim a luz da consciência iluminará a
sua vida. No Shivágama Yoga aprendemos a despertar
a atitude correta e a meditação conjuntamente
com a prática externa (bahiranga sádhana).
E, assim, aprendemos, também, no nosso dia-a-dia.
Lembre-se: vá com calma! O seu desenvolvimento
no Yoga deve ser harmonioso. A cada prática despertamos
mais e mais.
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